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domingo, 22 de maio de 2011

HOMENAGEM AO KENGOS CLUB

HOMENAGEM AO KENGOS CLUB
1980. Esse foi o ano ao qual nasceu “Kengo’s club”, outubro de 1980 para ser mais exato. O nome desta casa noturna não é aquilo que você está pensando, ou seja, derivado de “quenga” mas sim algo que indica “cabeça”, veja o exemplo: “o guri não passa de ano pois tem quengo fraco”. É daí que surgiu o nome pois um avô do fundador era jogador de futebol e fazia muito gol de cabeça daí então surge o apelido de “quengo” fonte de inspiração para o nome de uma das maiores e mais tradicionais casas noturnas do estado de Santa Catarina.
Olha o rapaz aí, lembra!?

Assim, em 1980, eu tinha 9 anos e lembro muito bem de alguns ambientes do gênero que imperavam na região, também, nesta década, no que tange a diversão. Já se passaram em todo este tempo ou seja 30 anos mas naquele tempo tinha o “crésbe” e o clube 14 de maio (salvo engano), mais tarde veio o “pau fincado” no bairro Santo Antônio, lembram? O eterno rival na concorrência “Clube Fraiburguense”, o Café Maçã na beira lago que deu o ar da graça por um tempo, recordam? O bar do “Mirto” na rua dos bancos. O Clube Center Som do amigo Dora que nem mora mais aqui. A maioria se foi mas o Kengos ta ali, em pé, pode não ser mais a sétima maravilha do mundo, mas é fonte da nossa história e como conseqüência de nossa cidade. Gostem ou não. Hoje os filhos dos primeiros freqüentadores são trintões.
Só para se ter uma ideia naquele tempo, em Videira (cidade vizinha a Fraiburgo para quem não é daqui), quando surgiu o “Kengão”, como carinhosamente alguns jovens falam aqui em Fraibang city, havia a “Signus” e depois veio a “Giryus” que se tornou Bacos Café posteriormente. Nem sei se existe ainda esta última. Até o Fort West Café na cidade de Joaçaba que era o bam bam bam veio e passou. Sou do tempo que as filas para adentrarem ao Kengo's dobravam o quarteirão. Em Santa Catarina neste tempo o top era Kengos em Fraiburgo, “Wiskadão” em Balneário Camboriú e “Baturité” em Blumenau. A realidade é que este ramo de entretenimento está em crise, principalmente nas pequenas cidades.

Muitos de nós passamos a adolescência e juventude dentro deste clube. Muitos acharam suas esposas nos escurinhos da Kengo’s e muitos se separaram por causa dele. Faz parte! Outros se perderam feio nas ilusões da vida. Muitos brigaram ao redor do clube o que seria, até certa forma, normal pela sociedade em que vivemos e indo além, muitos vomitaram muito, naquelas escadas e banheiros. Faz parte também! Entretanto, era e é um ambiente seguro e localizado no centro de Fraiburgo. Assim, os jovens não precisavam sair daqui para curtir festas em outras cidades enfrentando as estradas, o frio e a neblina principalmente no inverno, a região é que vinha aqui. Para muitos ver este clube sem o brilho que merece é orgulho. Mas, tudo tem seu crescimento, ápice e decadência. Nada é eterno e a história é prova disso, foi assim nos principais impérios do mundo e governos. Porém o respeito tem de permanecer.
Por outro viés as coisas mudaram, mesmo. Hoje, a modernidade tornou ao meu ver a juventude um pouco isolada. O computador e o celular modificaram queiram ou não aquela necessidade de contatos físicos entre pessoas. Em meu tempo para você ver e falar com uma pessoa olhando no olho tinha-se, que se deslocar até a casa dela. No máximo uma ligaçãozinha, que não custava pouco, do telefone fixo. A violência crescente também afugentou os jovens de uma confiabilidade maior, aglomero de pessoas abre aspas para as mais perversas atitudes. Naquele tempo, dentro do “som” como diziam alguns, todos formavam uma grande família que se divertida sem maiores problemas. Pelo menos assim era no Kengo’s, quem viveu aquela magia sabe do que digo.
Você saberia me dizer como surgiu o Kengos?

São trinta anos importunando a vizinhança os quais só nos cabe um pedido formal de desculpas, mas foi por uma boa causa, é melhor nossa juventude se divertindo aos nossos olhos do que pegar estradas a noite. O clube sempre procurou amenizar os efeitos da sonorização seguindo a lei. Perdoem-nos.
Falando nisso, o primeiro DJ a fazer barulho foi o Kiko Heitz só no disco de vinil que hoje é artefato de museu (desculpe se errei a escrita do sobrenome dele) quem viveu lembrará, ele já nem mora mais aqui. Era o tempo do “Zabadaque”, do “ABBA”, “Embalos de Sábado a noite”, fazia o som com dois aparelhinhos merrecas, dois 3 em 1, pode isso? Depois veio o DJ “Marquinhos” que hoje tem o Som & Cia. Rapaz este incansável na procura por hits, viajávamos atrás de novidades para Curitiba, Blumenau e todo o final de semana tínhamos música nova. Era o tempo do “Modern Talking”? Foi febre. Do Dires Straits; o surgimento do U2; Van Halen; Alphaville que quase desnucava alguns dançando, dentre tantos outros. Ter som do “Modern Talking” era difícil e significava que você era o auge, depois generalizou. E quem tinha som importado então? Era Deus em matéria de DJ. Neste tempo começou a entrar o CD Player que pulava com o mínimo solavanco. Nesta época as primeiras bandas começam a surgir no Kengo’s.
Depois do Marcos veio o DJ Clei e começa a entrar o funk nas paradas, ótimo parceirão o Clei que mantinha a pista sempre cheia. Depois veio o irmão do Clei, o DJ Fernando, também, que deixou sua marca nas Pick ups do Kengo’s. Veio o Beto outro DJ formidável, o melão, o Fabrício sempre tocando a pista lenta e o DJ MAGRÃO. São tantos que me perdoem os que esqueci.
Naquele tempo, dançar uma música lenta com uma menina era formidável. Uma vez me deparei com um cara brigando com uma menina, ele dizia: “você não pagou entrada e é obrigada a dançar comigo”. Pode? Eram outros tempos mesmo.
Sou do tempo que alguns entravam no clube e brincavam de se esconder. Tamanha era a confiabilidade que tínhamos com os freqüentadores. Não tinha Estatudo da Criança e do Adolescente, nem a Constituição de 88 nascera em 1980. Não é se gabar, mas se existia lugar para se deixar um filho ir, este era o Kengo’s. Agora, uma coisa tenho de dizer: “quem tem tendência a ser mau, não importa o lugar, sempre estará fazendo coisa errada até mesmo dentro de casa. Os pais nem sonham o que alguns de seus filhos fazem quando estão na noite “curtindo”.
Continuando nas boas lembranças. Lembranças boas não faltam, e quem viveu aquela febre sabe do que falo, tem gente que dizia bater cartão no Kengo’s. Lembram da primeira banda? Banda SA que o Kengo’s trouxe no ginásio de esportes ainda. Depois dela virou rotina e freqüentavam rotineiramente o Kengo’s bandas como: “Banda Flerte” crianças quando vieram a primeira vez tocar aqui, foi o primeiro lugar que tocaram fora de Itajaí. Recordam da “Banda Portal da Cor”? Havia até discussões de qual das duas era melhor Flerte ou Portal? Tinha também a Banda “Paralelo Trinta”, Mister Jokcer, enfim, eram muitas. As vezes errávamos o pulo trazendo banda ruim. Faz parte!
Com o passar dos tempos a cada aniversário, trazia-se uma atração nacional e nem só nestas datas. Passaram por aqui, “João Penca e os Miquinhos Amestrados, grande sucesso em novelas globais”. Do sul vieram Engenheiros do Hawaii; Nenhum de Nós, TNT, Rosa Tatuada dentre outros que não me recordo agora. Anjos do Angar, recorde de público. Raimundos, CPM 22, Detonaltas, J. Quest, RPM e Paulo Ricardo, Pity, Ultrage a Rigor, Zé Geraldo. Enfim, foram muitos e tem mais só que não lembro até o Dedé dos trapalhões passou ali.
Rolava uma Festa do Havaí na piscina. Ehhh, o Kengo’s tinha piscina uma vez. Garota coca cola no começo dos anos 80. Era a febre dos desfiles dentre eles o sensacional “Garota Kengo’s”. O Garota Verão da RBS. O Gata Transa que depois virou “Gata Band” sempre lotava e era a melhor festa, o povo esperava ansioso. As bandas covers passaram por ali Queen cover; AC DC cover; U2 cover. Lembra dos famosos reveilons da kengos? Era tradição.
Dentro do clube cada turma se ajeitava. Lembra da “Festa das Turmas”? E lá se passaram 30 anos. Dentro do Kengo’s não havia discriminação, é sério! Todo mundo sabia onde ficar e alguns tinham seus lugares de ficar, o seu cantinho. Tinha os menos ricos de um lado, os mais abastados do outro e o clube ia crescendo a cada ano aumentando o número de pistas e seus ritmos. Era festa das boas e a melhor na região. Cada ano reformava-se tudo e os freqüentadores ficavam afoitos e rodeavam o prédio nos tempos de reforma. A fofoca era uma só: “o que o Kengo’s trará de novidade?” Era parâmetro para outras casas. Quebravam-se muitas paredes em 2, 3 meses parado. Pessoas brigavam para ser o primeiro a entrar na reinauguração um evento que sempre marcava a região. Lembram-se que tinha até um cineminha dentro da casa? Muita coisa rolou naquele cinema.
Enquanto o Kengos funcionava surgiram Paralamas do Sucesso, Mamonas Assassinas, Titãs, o bonde do tigrão, RPM que levava milhares de pessoas nos shows. Rock in Rio. Tudo isso surgiu depois do Kengo’s. Agora entrou o lado tradicionalista com os bailes gaúchos. Importantes nomes deste estilo musical passaram no salão de festas do lugar como: Serranos, Tchê Barbaridade; Monarcas; Garotos de Ouro uma infinidade de atrações.
Lembram do barzinho do Kengo’s? Dos lotados rodízio de pizzas que levavam 600, 700 pessoas aos sábados para saborear as pizzas e calzones antes de entrar ao clube comia-se ali ou na madrugada para rebater o porre comia-se algo lá em baixo. Lembra das sextas e sábados com música ao vivo? Só dava Kengo’s. Hoje, a juventude está estranha, nada contra talvez a magia era outra.
Lembra das Gincanas? A juventude quase se matava para vencê-la. Tudo na base do respeito. Lembra dos carnavais? Os primeiros não deram certo depois que aumentou-se o prédio fizemos ótimos carnavais com novidades como o baile dos enxutos. Dava muita intriguinha sadia quando se divulgava o vencedor do carnaval da Kengo’s. Faz parte!
O Kengo’s fez parte de várias gerações. Sei que esqueci de muita coisa, mas em outra oportunidade comentarei e se você lembrar de algo que não coloquei aqui, por favor deixe sua mensagem. São 30 anos de glórias, sem dúvidas. E aposto que quem viveu o que escrevi aqui verterá algumas lágrimas nos olhos depois de ler. Encerrando, o KENGO’S CLUB NÃO ESTÁ MORTO E UM DIA VOLTARÁ. Mas para isso, até mesmo, o estilo de vida deve mudar. Hoje são outros tempos, tempo de ficar em posto de gasolina, no computador 11 horas ao dia. Tempo das RAVES. Do ecstasy, crack, COCAÍNA FÁCIL, OXI invadindo, Maconha melhorada em laboratório; energéticos. Enfim, naquele tempo no máximo havia o álcool e tudo era diferente.

4 comentários:

  1. Com certeza, Fraiburgo deve ressuscitar o Kengo's Club!!! Como diz o autor do texto, nossos filhos teriam um lugar para se divertir no centro da cidade, sem necessidade de se deslocar e correr riscos! Eu lembro e frequentei muitas vezes o Wiskadão em Balneário. Era uma farra saudável. E lembro também do Baturité de Balneário, que está ainda por lá....Parabéns, Marcel por re viver a memória de um tempo tão bacana...que passou...

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  2. eu vivi muito disso, no kengos clube de canoinhas.... saudades...

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  3. saudades do kengos nith clube canoinhas dj marquinhos castor equipe musical fm etc...abraços..fiz muitos aniversarios la

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  4. Kengão...minha diversão começou aí nessa casa noturna com mito orgulho posso dizer que presenciei as melhores noites de festa da região dentro da Kengo's Club...tempos maravilhosos.

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